A quem não conheço.


O papel branco a minha frente me encara, me cobrando palavras em seu nome. A caneta desliza entre as linhas formando frases que só serão lidas quando você as encontrar. Pode ser que as encontre logo, e torço por isso, mas caso não, te esperarei com anseio, assim como uma criança que espera pelos pais na saída da escola. Talvez não saiba quem sou, mas não importa, eu também não o sei bem. E também não te sei. Sei apenas que virá. Não vejo tua face quando fecho os olhos. Só vejo teu perfume doce.
Todas as imagens dos posts anteriores foram apagadas, e como não tinha backup delas, manterei assim mesmo.

Pensando Alto.

- Vem comigo?
- Vôo

Pétalas ao chão.


Bem me quer, mal me quer, bem me quer, mal me quer...

A gente nunca sabe o que pode acontecer nessas brincadeiras bobas de criança. O destino de duas vidas na palma da mão, envolto em pétalas sendo tiradas uma a uma, sendo jogadas ao chão e com elas levando a esperança de um novo amor ou talvez o medo de não saber o que poderia ter acontecido.

Bem me quer, mal me quer, bem me quer, mal me quer...

Olhos fixos um no outro. Ora um olhar de desespero, com uma roleta russa do amor em mãos, ora um olhar de ternura, carregando a expectativa de um sonho. Um sonho bom. Arriscando tudo, jogando pétalas ao vento. Jogando palavras ao vento.

Bem me quer, mal me quer, bem me quer, mal me quer...

A medida que a flor se despia, seus corações se apertavam. O momento do sim ou não estava chegando. A angustia tomava conta dos corações. Corações que ardiam. Ardiam uma chama que podia apagar ou explodir a qualquer momento.

Bem me quer, mal me quer, bem me quer...

Parou. Faltava apenas uma pétala em sua mão. O corpo petrificado, o coração a todo movimento. As esperanças haviam terminado. Seu olho se encheu de uma lágrima de emoção. Apenas uma pétala, deveria continuar.

Mal me...

Então uma mão pousou por sobre a sua e o impediu de retirar o último fio de esperança que ainda havia. "Não! Deixe como está. Ainda temos muitas flores a apreciar, juntos". O bem-o-quis.

As Palavras e Eu.


Tem vezes que escrever me dói um pouco. Não uma dor física, mas como se eu estivesse me espremendo, me esmagando, me moendo por dentro. E muitas vezes nesse ritual, me encontro vazio, oco. As palavras simplesmente não querem sair, não querem existir. Querem ficar por perto, dentro de mim. Palavras tímidas. E isso me sufoca. Tenho vontade de cuspi-las. Vontade de vomitá-las. Mas elas se agarram com tanta força dentro de mim, que acabo desistindo, e dou uma trégua a elas. Passado um tempo tento de novo, e quando consigo expulsá-las de mim, me sinto leve. Flutuo. Como se tirasse um grande peso que estava amarrado aos meus pés e que me impediam de voar. Neste exato momento estou tentando voar. Mas algo ainda me puxa em direção ao chão. Não sei o que é. Sei apenas que está ali, me segurando. E se não sei, não posso tentar tira-lo de mim. Não sei a quem expulsar. E dói. Escrever me faz bem. Só quero escrever. Quero voar.