Marcas do Tempo.


Sentou se em seu velho sofá desbotado
segurando em sua mão um antigo retrato,
amarelado com o tempo,
até um pouco rasgado.

Seus olhos se agarraram aos detalhes da figura.
Seu coração lacrimejou,
uma lágrima desabou.
Não houve lembrança mais pura.

Quanta coisa sua mente observou naquele instante.
Filhos crescendo,
netos correndo,
bisnetos nascendo.

E se jogou com tanta força nessas memórias,
que desejou ter todos de volta.
O marido falecido,
os filhos e netos já crescidos.
Desejou que o tempo em que fora amada voltasse,
e que esta solidão que agora vivia acabasse.

Apertou o retrato com maior força,
e no súbito de um suspiro
brotou em sua face a última lágrima,
e pôde respousar tranquila,
sem mais poder ser incomodada.

Sobre o apego.


Toda a vontade que corre pelas minhas veias agora é a de poder esquecer tudo o que já foi um dia e tentar viver como se o futuro não dependesse de nada que já houvesse ocorrido. Uma vez esse desejo realizado, poderia ter a inocência de uma criança que pela primeira vez anda com sua bicicleta sem ter medo de levar tombos, e sem desistir consegue aprimorar sua técnica e se torna feliz por ter conseguido tal fato.
Tenho a vontade de segurar pessoas, queridas para mim, como se fossem balões, segurando-as fortemente pelos barbantes, com medo de que essas pessoas se soltem e voem para longe, e se percam de mim. E que eu me perca delas.
Vontade egoísta, eu sei. Se eu já não soubesse andar de bicicleta, deixaria voar os balões.

Aprenda.

Tem gente que morre todo dia,
sabendo apenas esperar pelo pior.
Viva a vida mais leve,
acredite,
sua vida será melhor.

A Dor da Dúvida.


As vezes me sinto perdido, sem ter para onde ir, ou então o que definir na minha vida, como sendo a escolha certa ou errada.
Será que estou fazendo a escolha certa? Será que irei me arrepender por ter feito essa escolha ou será que essa escolha poderá me trazer a felicidade que ainda não tenho? Uma felicidade talvez forçada ou uma felicidade inventada, frustrada.
Até quando terei que aguentar essa tristeza me corroendo a alma com a dúvida da escolha correta? Até quando terei que sofrer para obter minha tão sonhada felicidade? Ou terei sempre que conviver com essa minha felicidade inventada? Esse sorriso imposto no meu rosto para esconder a pessoa triste que existe por detrás dele.

Quero alguém que me entenda, que me de o carinho necessário. Não o merecido, mas o necessário.

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