Rio de Lembranças.


Parei diante de um pequeno córrego que havia perto de casa, e pus-me a olhá-lo com um grande sentimento de nostalgia que apertava meu peito com a lembrança de momentos e pessoas que passaram por minha vida.

Pude avistar alguns segundos, minutos e horas correndo rio abaixo, levados pela forte correnteza que os arrastava com sua força. Logo em seguida, um pouco mais atrás, vieram os dias, meses e anos, que tentavam lutar contra a força do rio, numa tentativa frustrada de nadar de volta para a nascente. Junto deles estavam várias lembranças, mais espertas, ao invés de nadar contra o rio, tentaram nadar para as margens, e com essa estratégia, muitas delas conseguiram pular para fora do rio e ficaram sentadas pelas margens, esperando um alguém que pudesse encontrá-las.

A maioria das lembranças que ficaram pelas margens eram boas. A medida que eu as observava, meus olhos se enchiam de água. Eram lembranças lindas, perfeitas. Não me contive de tanta alegria ao vê-las, então corri para agarrá-las, mas para meu desapontamento todas elas eram intocáveis. Quanto mais eu me aproximava, mais elas se dissipavam. E não pude nem ao menos toca-las por alguns segundos, apenas olhá-las.

Também avistei algumas lembranças más, feias, horríveis. Algumas delas me deram uma sensação de alívio por não poder tocá-las. Outras, me incentivaram, gritando coisas que um dia pude superar, que pude vencer.

Naquele dia quando voltei para casa, muitas delas, boas ou ruins, me seguiram e até hoje estão comigo em todos os momentos. De vez enquando algumas outras delas aparecem, outras vão se embora, mas as que ficam me ajudam. Me ajudam a ver que a vida vale a pena.

Bilhetinho Premiado.


E voava.

O vento, com a força de seus pulmões,
assoprava.
E o carregava em suas asas,
o ajudava.

Não era um simples pedaço de papel,
era um bilhetinho com uma missão:
deveria levar sua mensagem
a alguém com um triste coração.
Levava um discreto "eu te amo" no peito,
pra isso tinha uma boa razão,
aquele que o percebesse, e lêsse,
iria ter uma grande emoção.

Muitas pessoas por ali passaram,
mas nenhuma delas o-avistou.
Estavam todas tão ocupadas,
que o pequeno bilhete ninguém notou.

O papelzinho ficou indignado.
Tinha tanto a falar e ninguém o escutou,
apenas queriam saber de conforto,
dinheiro, trabalho, mas não o amor.

Então o pequeno papel em um canto respousou,
deitou na calçada e esperançoso ali ficou,
esperando que alguém ao menos se importasse,
mas não tinha um que o avistasse.

O recado então, com o tempo se apagou,
e a sua mensagem não se eternizou.
O trabalho e o dinheiro falaram mais forte,
e o amor, ah o amor, não teve a mesma sorte.

A Beleza dos Sonhos.


Sonhos.
Para o bem,
ou para o mal.
Pode ser bonito.
Pode ser banal.

Sonhos.
Uma essência,
de uma esperança
de um adulto,
de uma criança.

Sonhos.
Pés no chão,
ou intocáveis.
Realizações
prováveis.

Sonhos.
Conteúdo nada importa,
necessário é acreditar.
Pode ser um simples beijo,
pode ser até o mar.

Sonhos.
Para mim,
para você.
Acredite,
não desista,
você vai se surpreender.

E nessa brincadeira
vou por aqui ficar,
mas te deixo um recado,
é melhor se atentar.

Uma vida mais alegre
é fácil conseguir.
Sonhe!
E a beleza dos sonhos,
você vai descobrir.