A Saga de Uma Apaixonada.


Num pequeno vilarejo
uma bela historia aconteceu,
emocionou a todos
e uma lenda assim nasceu.

Em um tempo não muito longinquo
uma singela estrela deslumbrante
conseguiu fugir aos olhos da Lua
e se esgueirou através dos céus
em sua saga mais do que brilhante.

A cintilante estrela ouvira pelo céu
que havia um grande ser,
tão imponente quanto um farol.
E corroída pela sua curiosidade
saiu a procura do grande astro Sol.

Chegando ao céu claro
pôde então o Sol avistar
e por mais que resistisse
não tardou muito a se apaixonar.

Conta-se que a estrela foi consumida pelo amor
e de seu posto em céu noturno logo abdicou.
Em estrela cadente resolveu se transformar,
caiu por sobre o mar, e se pôs a só observar.

Hoje vive em meio as águas
e o motivo: se apaixonar.
O Sol agora, sempre pode ver,
agora que é uma Estrela do Mar.

Visita Amiga.


Quando lembranças boas e felizes começam a me apertar o peito, logo percebo que a saudade resolveu aparecer. E a danada da saudade sempre traz consigo cores e cheiros, texturas e sabores que você costumava gostar. Na maioria das vezes até me conta histórias sobre você. Histórias coloridas, histórias cheias de luz, ou até mesmo histórias monocromáticas de um tempo em que éramos. Éramos felizes. Éramos juntos. Éramos nós. Éramos como gêmeos siamêses que dividiam o mesmo coração. De vez em quando minha amiga saudade até me traz uma blusa sua que estava ali, esquecida no canto do guarda-roupa. Às vezes até chego a me convencer que você está por aqui, e me vejo colocando mesa pra dois. Mas a comida esfria, estraga. Ninguém aparece para comê-la. A saudade me consola, dizendo que você logo chega, e me agarro cada vez mais ao seu travesseiro pelas noites. Hoje acordei e a saudade já havia ido embora. E levou com ela tudo o que tinha me trazido. Mas sinto falta dela agora, por isso deixei a porta aberta. Um dia ela volta. A saudade sempre volta. Por isso hoje digo: “Vem, saudade. Você me dói, mas sua presença me consola ”.

Reforma.


A última pessoa que aqui se hospedou fez do local o seu lar. Pintou paredes, trocou azulejos, espalhou fotos suas por toda a parte. Com muito esforço conseguiu tornar o espaço, agora seu, em um lugar aconchegante.

O tempo que ali morou foi de muita felicidade. Os vizinhos sempre escutavam risadas vindo dali, parecia um lugar onde a alegria reinava. E era de fato. Mas o tempo passou. E com o tempo, a tinta das paredes começou a descascar, os azulejos já não tinham o mesmo brilho de antes, as risadas só ecoavam na memória. E o contrato do aluguel venceu, e ali não podia mais morar.

Fui obrigado então a fechar as portas do meu coração para realizar uma grande reforma. Reforma essa que tentaria apagar todos os vestígios do último inquilino, do mesmo jeito que aconteceu com todos os antigos moradores que iam embora. Iam embora e sempre somavam falhas e defeitos pelas paredes e alicerces mal cuidados. Eram machucados por toda a casa. Feridas que reforma alguma conseguia ao menos disfarçar.

Sim. Mais um morador se foi. E com ele levou uma grande parte da mobília. E comigo deixou um grande buraco na parede. Foi o maior estrago causado por algum inquilino até agora. Deixou muitas fotos pela casa, que não me deixam esquecer nenhum segundo de sua vivência por aqui.

Fechei para reforma, mas talvez não convide mais ninguém a se alojar por aqui. Não mais. Não mais.